Ilha de luxo disputada por Richarlison e Flávio Bolsonaro ganha nova frente: MST anuncia ocupação em Angra dos Reis

A deputada estadual Marina do MST (PT-RJ) anunciou, em 22 de outubro de 2026, que pretende ocupar a Ilha Comprida, em Angra dos Reis. A proposta foi apresentada como uma forma de dar à propriedade uma função de interesse público.

A ilha é alvo de uma disputa judicial que envolve o atacante Richarlison e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo levantamento jornalístico citado na reportagem, a posse foi transferida por decisão liminar, em 2022, para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz.

Marina propõe transformar a propriedade em um centro de formação para jovens de povos tradicionais da Costa Verde, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), campus Angra dos Reis. A universidade ainda não havia confirmado oficialmente a parceria, segundo a reportagem.

Ilha Comprida

O caso também ganhou repercussão após a divulgação, em 21 de outubro, de vídeos que mostrariam policiais militares e homens armados na ilha. Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e Tomaz de terem tomado o imóvel sem pagamento; o senador nega as acusações.

Marina do MST propõe destinar a ilha à formação de jovens

Durante um ato estudantil da campanha de reeleição do presidente Lula em Angra dos Reis, Marina do MST afirmou que a propriedade deveria receber uma função social. A deputada declarou que os povos tradicionais da Costa Verde precisam de espaço para formação e capacitação de jovens.



Marina do MST é o nome político de Lúcia Marina dos Santos, nascida em 1973, em Cascavel, no Paraná. Ela ingressou no movimento aos 14 anos e acumulou mais de três décadas de militância, com atuação em ocupações de terras e frentes organizativas em Campos dos Goytacazes e no Norte Fluminense.

Assistente social e mestre em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marina coordenou o escritório nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Brasília, e representou o movimento em fóruns internacionais, incluindo uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2022, tornou-se a primeira mulher Sem Terra eleita deputada estadual no Rio de Janeiro, com 46.422 votos, para a legislatura de 2023 a 2027.

Disputa judicial envolve Richarlison, Flávio Bolsonaro e empresa

A Ilha Comprida tem uma mansão com 11 suítes, piscina, praia privativa, quadra de tênis, heliponto e uma cachoeira que deságua no mar. A propriedade, situada na Costa Verde e avaliada em cerca de R$ 10 milhões, foi comprada em 2020 por uma empresa ligada ao ex-empresário de Richarlison.

Em 2022, uma decisão liminar transferiu a posse do imóvel para a WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa do advogado Willer Tomaz. Em maio de 2024, o juiz Ivan Pereira, da 2ª Vara Cível de Angra dos Reis, determinou a retirada dos ocupantes da ilha.

O criminalista Nabhan Kakay, que analisou os vídeos divulgados sobre a ilha, classificou a operação registrada nas imagens como “coisa de milícia”. Willer Tomaz também é apontado como suspeito, em inquérito da Polícia Federal (PF), de ser sócio oculto de Flávio Bolsonaro, enquanto a reportagem informa que Richarlison pediu investigação da PF sobre a disputa.



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