O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em 24 de outubro de 2026, que atuaria para tentar devolver a Richarlison um terreno na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. A disputa pela ilha de Richarlison foi mencionada por Lula antes de um ato de campanha em Copacabana.
A Polícia Federal (PF) começou a apurar as circunstâncias do caso, que envolve uma mansão e uma disputa pela posse do imóvel. Lula também questionou a atuação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), órgão responsável pela regularização dos direitos de ocupação da área, que pertence ao governo federal.
O jogador acusa o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, de terem atuado para retirar dele a posse do imóvel. As declarações foram feitas no Rio, na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2026.

O caso entrou no embate entre Lula e Flávio durante a campanha e foi abordado pelo presidente em um discurso com críticas ao adversário. A cobertura também relata a mobilização dos candidatos em Copacabana, no Rio, e em Belo Horizonte, antes da votação de 25 de outubro.
Lula leva a disputa pela Ilha Comprida ao discurso de campanha
Em discurso antes do ato em Copacabana, Lula chamou o atacante Richarlison de “pai do bebê”, apelido usado nas redes, e disse que o terreno deveria voltar ao jogador. O presidente atribuiu a perda da posse a Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro, apresentando a disputa pela ilha de Richarlison como argumento contra o adversário na eleição.
No debate presidencial da TV Globo, em 23 de outubro, Lula questionou se o coronel citado por ele na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) era amigo de Flávio. O presidente comparou o tempo de tramitação: afirmou que a equipe de Richarlison esperou mais de um ano por uma decisão, enquanto o amigo do senador teria obtido um título em uma semana.
Lula também criticou o comportamento de Flávio durante a campanha e o acusou de mentir repetidamente. No ato, chamou o senador de “miliciano” e disse que os eleitores não deveriam levar alguém com esse perfil ao Palácio; a reportagem registra que ele não apresentou provas para sustentar a acusação.
Polícia Federal apura disputa por imóvel em Angra dos Reis
A Polícia Federal apura as circunstâncias da controvérsia envolvendo a mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e acusa Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz de terem atuado para retirar dele a posse.
A área pertence ao governo federal, e a SPU é responsável pela regularização dos direitos de ocupação. A atuação da secretaria passou a ser questionada durante a campanha após a comparação feita por Lula entre o prazo do pedido ligado ao jogador e a rapidez atribuída à solicitação relacionada ao advogado.
O caso foi citado por Lula no debate e no discurso de campanha, mas a disputa sobre a posse permanece sob apuração. As declarações do presidente sobre favorecimento foram apresentadas como questionamentos políticos, enquanto a investigação da PF busca esclarecer as circunstâncias do episódio.
Ato de Lula em Copacabana reúne apoiadores e lideranças
O ato de campanha de 24 de outubro, batizado de “Brasil pronto pra Mais”, reuniu milhares de apoiadores na orla de Copacabana, no Rio. A concentração começou às 9h, no Posto 5 da Avenida Atlântica, e Lula chegou por volta das 9h40.
Prevista para começar às 10h, a caminhada percorreu a orla com o presidente na parte traseira de uma picape adaptada. Lula acenou com uma bandeira do Brasil e cumprimentou apoiadores de cima do veículo, acompanhado por aliados, entre eles o ex-prefeito Eduardo Paes e a deputada federal Benedita da Silva.
Também participaram o vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, o coordenador da campanha, Camilo Santana, e os deputados federais Marcelo Freixo, Jandira Feghali e Daniel Soranz. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e a primeira-dama Janja da Silva também estavam no comboio.
Durante o discurso, Lula disse estar otimista para a votação de 25 de outubro e respondeu ao mote de campanha de Flávio sobre “mudança”, afirmando que o país queria uma mudança “para melhor”. Ele agradeceu aos militantes e mencionou o “Exército do Lula”, canal de WhatsApp mobilizado pelo deputado André Janones, que chegou a reunir mais de 10 milhões de pessoas e foi suspenso em meio a decisões conflitantes de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula e Flávio fazem últimos atos antes do segundo turno
Flávio Bolsonaro participou de um ato em Belo Horizonte ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira e do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo. A programação previa uma motociata e um discurso na Praça da Liberdade; foi a primeira participação conjunta de Flávio e Cleitinho em um evento de campanha naquela eleição.
As agendas também incluíam compromissos no Rio e em São Paulo. Flávio seguiu de avião do Rio para Minas com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e tinha uma atividade prevista na Zona Oeste do Rio; Lula seguiria para uma caminhada na Avenida Paulista.
A pesquisa Quaest citada na reportagem indicava Flávio com 48% das intenções de voto no Sudeste, contra 39% de Lula. No quadro nacional, o senador tinha 45% e o presidente, 44%, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
No primeiro turno, a abstenção nacional foi de 21,08%; São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Guarulhos e Campinas somaram 4,3 milhões de eleitores ausentes, equivalentes a 13% do total do país, e a taxa do Rio foi de 23,32%. Pela regra eleitoral, caminhadas, passeatas e carreatas poderiam ocorrer até as 22h de sábado, 24 de outubro; no domingo, ficavam proibidos o impulsionamento de propaganda eleitoral paga na internet e a publicação de novos conteúdos de campanha.


