Uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz pediu autorização para ampliar uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O imóvel é alvo de disputa judicial com uma empresa ligada ao jogador Richarlison.
Segundo documentos divulgados, o pedido foi apresentado ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e envolvia mudanças em uma área submetida a regras ambientais específicas.
O protocolo ocorreu em 20 de março, horas depois de um decreto flexibilizar as regras de ocupação na região. A medida foi revogada em abril, e o requerimento não avançou.
A controvérsia envolve alegações sobre a negociação do terreno, divergências sobre a área e uma apuração da Polícia Federal sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, sob suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio nega relação com a compra, e a investigação não representa uma conclusão contra os envolvidos.
Pedido de ampliação e regras ambientais na Ilha Comprida
O projeto apresentado pela empresa ligada a Willer Tomaz previa demolir a residência existente, de 410 m², e construir outra com 726 m² na Ilha Comprida. A proposta, portanto, aumentaria a área construída do imóvel.
Entre as estruturas previstas para a nova mansão estavam uma academia e um cais. Os documentos divulgados descrevem essas instalações como parte do projeto submetido ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
O requerimento também propunha elevar a taxa de ocupação do terreno de 15% para 30%. A mudança se aplicaria a uma área sujeita a regras ambientais específicas, que voltaram a vigorar após a revogação do decreto que havia flexibilizado a ocupação na região.
Disputa judicial, versões dos envolvidos e apuração da Polícia Federal
A empresa Sport 70, ligada ao jogador Richarlison, apresentou à Justiça um contrato registrado em cartório para sustentar que havia adquirido o terreno. O documento é usado pela empresa como base para reivindicar a propriedade na disputa da Ilha Comprida.
As coordenadas indicadas nesse contrato coincidem com as utilizadas pela empresa de Tomaz no pedido de ampliação. Ainda assim, há divergências sobre a dimensão da área e outros aspectos da negociação, conforme os documentos divulgados.
Richarlison afirma que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz se interessaram pelo imóvel depois de uma visita do senador à ilha, em 2021. Flávio nega relação com a compra; a apuração da Polícia Federal sobre a relação entre os dois, mencionada na controvérsia, não constitui conclusão contra os envolvidos.


