A Justiça do Distrito Federal negou o pedido de urgência de Willer Tomaz e da WT Administração de Imóveis e Bens S/A contra Richarlison. A ação envolve publicações do jogador sobre a disputa pela Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
A ilha pertence à União, e a controvérsia envolve o direito de ocupação do imóvel, administrado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Richarlison afirma que investiu no local, enquanto a empresa de Tomaz sustenta ter adquirido legalmente os direitos.
O caso tramita na 4ª Vara Cível de Brasília, sob responsabilidade do juiz Giordano Resende Costa. Além do advogado e da empresa, a disputa envolve o atacante da Seleção Brasileira e menciona o senador Flávio Bolsonaro, que nega ligação com o imóvel.

A decisão analisou apenas o pedido urgente e não encerrou a ação de indenização. O processo também aborda os limites entre liberdade de expressão e responsabilização por manifestações sobre a disputa imobiliária.
Decisão nega remoção imediata e proibição de novas publicações
Willer Tomaz e a WT Administração de Imóveis e Bens S/A solicitaram a retirada de publicações de Richarlison, uma ordem para impedir novas manifestações semelhantes e a aplicação de multa em caso de descumprimento. A ação também pede R$ 200 mil por danos morais e um esclarecimento público nas redes do jogador.
Ao analisar o pedido, o juiz Giordano Resende Costa considerou que não havia conteúdo ativo a ser removido. Os autores informaram que os stories já tinham expirado após 24 horas e que a dona de um perfil havia apagado um comentário feito pelo atacante em uma publicação dela.
O magistrado também avaliou que impedir antecipadamente Richarlison de falar sobre o caso, em diferentes redes e formatos, poderia configurar censura prévia e violar a liberdade de expressão. Segundo a decisão, eventuais excessos podem ser examinados posteriormente, com possível responsabilização e remoção de conteúdo considerado ilegal.
As versões de Richarlison e da empresa sobre a Ilha Comprida
Richarlison afirma que comprou, com um sócio, os direitos sobre o imóvel em outubro de 2020 e investiu cerca de R$ 10 milhões. Desse total, R$ 4,66 milhões teriam sido pagos aos antigos ocupantes, além de gastos com reforma e segurança; o jogador diz que não recebeu o dinheiro de volta.
O atacante também sustenta que seu pedido de regularização ficou parado por dez meses, enquanto o requerimento da empresa ligada a Willer Tomaz teria sido aprovado em um dia, em julho de 2022. Ele pediu à Polícia Federal (PF) que investigasse o caso.
A WT Administração afirma que adquiriu legalmente os direitos de ocupação. Segundo a versão da empresa, a Secretaria do Patrimônio da União transferiu a ocupação para ela em 2022, e, em junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão da Justiça do Rio que reconheceu a posse da companhia.
Willer Tomaz afirma ainda que Richarlison não integrou os processos judiciais relacionados ao imóvel. De acordo com a versão apresentada pela empresa, uma companhia ligada ao jogador perdeu ações e desistiu de recursos em 2025; uma investigação anterior sobre o negócio foi arquivada por falta de provas de crime.
Andamento do processo e repercussões envolvendo Flávio Bolsonaro
Willer apresentou novos pedidos acompanhados de imagens de outras publicações de Richarlison, solicitando remoção e responsabilização. Esses requerimentos ainda não haviam sido analisados, e o jogador aguardava citação formal por carta precatória, encaminhada pela Justiça do Distrito Federal para cumprimento no Rio de Janeiro.
Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e Willer de terem ficado com o imóvel sem pagar por ele. O senador afirma que não comprou, vendeu ou intermediou a ilha e que não tem ligação com o imóvel; ele e o advogado reconhecem que são amigos desde 2019.
Foi divulgado que a Polícia Federal incluirá o caso da ilha em um inquérito que envolve Flávio e Willer. Em 27 de outubro, data em que o senador deixou o país, Richarlison publicou um vídeo com a frase “Ninguém na ilha?”.
Willer é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro em um inquérito que também envolve Flávio. O ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado; ele nega irregularidades e não foi denunciado nem condenado.
