Caso da ilha de Richarlison envolve amigo de Flávio Bolsonaro e tentativa de censura; entenda

Em vídeo publicado no Instagram, Richarlison falou sobre a disputa pela Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), e afirmou que o advogado Willer Tomaz o desafiou a provar que a aquisição da propriedade foi legal.

O jogador comprou o imóvel em outubro de 2020 em sociedade com Renato Velascos, seu ex-empresário, e Alencar da Silveira Júnior, presidente do America-MG à época, segundo a reportagem publicada em 21 de outubro de 2026.

De acordo com Richarlison, a controvérsia também envolve uma proposta de compra feita por Flávio Bolsonaro (PL), que ele diz ter recusado. O caso reúne questionamentos sobre a posse da propriedade e a atuação de pessoas ligadas à disputa.

disputa pela ilha de Richarlison

Willer Tomaz apresentou à Justiça do Distrito Federal, em 29 de julho, uma ação para impedir publicações do jogador sobre o caso. O pedido urgente foi negado em 13 de agosto, e o processo segue em tramitação, conforme a decisão judicial citada na reportagem.

A compra da Ilha Comprida e as versões sobre a disputa pela posse

Na versão apresentada por Richarlison, a propriedade na Ilha Comprida é avaliada em cerca de R$ 10 milhões. O jogador disse que os recursos empregados incluíram R$ 4,66 milhões para pagar antigos posseiros, além de gastos com reformas, segurança contra invasões e indenizações a antigos moradores.

O atleta afirmou que o acordo foi formalizado em cartório e que a Justiça do Rio de Janeiro validou a posse. Enquanto aguardava, por 10 meses, a regularização perante a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o imóvel recebeu propostas de compra, entre elas uma atribuída a Flávio Bolsonaro.



Richarlison também acusou o grupo ligado ao advogado de reativar uma empresa considerada inapta desde 2018, cujos sócios, segundo ele, já haviam falecido. Na publicação, afirmou ainda que uma viúva de 78 anos teria sido ludibriada e que o governo federal autorizou rapidamente a transferência do patrimônio à empresa, por uma “modalidade especial”.

Segundo o jogador, ele recorreu à Justiça de Angra dos Reis e obteve uma decisão favorável, posteriormente revertida após a contratação de um advogado que, conforme seu relato, é filho de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Richarlison disse que a propriedade está registrada em nome da WT Administração, presidida por uma mulher que teria se identificado como empregada doméstica, e afirmou querer recebê-la de volta no estado anterior à demolição da casa.

Ação para impedir publicações foi negada pela Justiça

Na ação, Willer Tomaz pediu uma tutela inibitória para impedir que Richarlison publicasse, compartilhasse ou repostasse conteúdos sobre o processo. O pedido também buscava barrar afirmações de que o imóvel teria sido “tomado” do jogador ou de que ele teria sido vítima de espoliação ou golpe.

A Justiça do Distrito Federal rejeitou a medida urgente por entender que a proibição poderia representar uma restrição prévia à manifestação de pensamento. A decisão considerou que impedir antecipadamente a divulgação daquele conteúdo se aproximaria de uma limitação à expressão do jogador.

O juízo observou ainda que as publicações de Richarlison eram direcionadas ao senador Flávio Bolsonaro e avaliou que a ação poderia configurar defesa de interesse de terceiro, hipótese que a decisão afirma não ser permitida. O processo continua em tramitação, e Richarlison declarou à reportagem que só soube da ação após ser procurado para comentar o caso.



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