A disputa de Richarlison por imóvel em Angra dos Reis envolve uma mansão na Ilha Comprida e uma ação relacionada aos direitos de uso e ocupação. O jogador afirma que investiu na aquisição, enquanto a Justiça não reconheceu a reivindicação apresentada por sua empresa.
O impasse começou em 2020, quando Richarlison diz ter investido na compra por meio da Sport 70 Intermediação de Negócios LTDA. A controvérsia ganhou repercussão durante as eleições presidenciais de 2026, após o atleta apontar Flávio Bolsonaro como envolvido.
Em 25 de abril de 2022, a WT Administração de Imóveis e Bens, ligada ao advogado Willer Tomaz, assinou contrato de compra e venda com a M Locadora, que seria a legítima proprietária do local. As versões de Richarlison e de Tomaz sobre a legitimidade da negociação divergem.

Documentos consultados pela reportagem registram que a Sport 70 pediu desistência no STJ em setembro de 2025, após decisões desfavoráveis à empresa. O caso também reúne alertas jurídicos sobre a verificação da legitimidade de vendedores em transações imobiliárias de alto valor.
A origem do impasse e as versões sobre a compra
Na disputa de Richarlison por imóvel em Angra, o jogador afirma que desembolsou R$ 10 milhões pela mansão na Ilha Comprida. Segundo sua versão, o investimento foi feito em 2020 por meio da empresa Sport 70 Intermediação de Negócios LTDA.
Richarlison também diz que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse em comprar o imóvel depois da aquisição. O atleta afirma que recusou a proposta, embora a controvérsia sobre os direitos de uso e ocupação tenha seguido para a Justiça.
O advogado Willer Tomaz apresenta uma versão diferente: sustenta que o jogador negociou com pessoas que não eram as proprietárias legítimas do bem. Em vídeo, Tomaz classificou como frágil a reivindicação da Sport 70, argumento que contrasta com a alegação de Richarlison de que teve o imóvel usurpado.
Decisões judiciais, desistência e alerta jurídico
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) reconheceu os direitos da WT Administração de Imóveis e Bens sobre o imóvel. Em junho de 2025, o STJ barrou um recurso especial da Sport 70 contra essa decisão; o relator do caso foi Ricardo Villas Boas Cueva.
Ao reconhecer os direitos da WT, o TJ-RJ apontou provas de contratação da empresa que detinha os direitos sobre o bem, pagamento integral do preço e conclusão dos procedimentos administrativos para a transferência. Esses fundamentos constam da decisão que foi contestada pela empresa ligada ao jogador.
Documentos consultados pela reportagem registram que a Sport 70 pediu desistência do processo no STJ em setembro de 2025. Tomaz afirmou que a empresa e seus sócios assinaram uma renúncia naquele ano e que perderam por unanimidade; Richarlison, por sua vez, diz que não foi informado da desistência.
A advogada especializada em direito imobiliário Dayene Lopes orienta verificar se o vendedor tem legitimidade para negociar e se a documentação está regular, incluindo a certidão de registro. Segundo ela, a possibilidade de ressarcimento depende de localizar a pessoa de quem o comprador adquiriu o imóvel e ter dados como endereço para buscar os direitos na Justiça.


