Habitat dos botos-cinza em Cananéia
No extremo sul do litoral paulista, Cananéia se destaca por ser um dos principais locais para a observação de botos-cinza, também conhecidos como golfinhos em Cananéia. Essas criaturas habitam as águas calmas do complexo estuarino-lagunar que circunda a cidade, onde a água doce dos rios se mistura à água salgada do mar. Essa região é composta pela Baía de Trapandé e pelas ilhas vizinhas, incluindo a Ilha de Cananéia, onde está situada a cidade, além da Ilha Comprida e da Ilha do Cardoso, que é um parque estadual.
O boto-cinza, que tem o nome científico Sotalia guianensis, é uma espécie de golfinho costeiro que se tornou uma das principais atrações turísticas em Cananéia. A possibilidade de avistar esses golfinhos é alta durante todo o ano, permitindo que turistas e moradores apreciem sua presença em passeios de barco. Esses passeios partem do centro da cidade e, muitas vezes, conduzem os visitantes por canais de mangue e ilhas, proporcionando uma experiência única.
Concentração de avistamentos na Baía de Trapandé
Estudos realizados na região mostram que a Baía de Trapandé concentra quase metade dos avistamentos de botos-cinza. Um levantamento indicou que 48,72% dos registros ocorreram nesse local específico, sendo seguido pelo Mar de Cananéia, com 32,72%, e pelo Mar de Cubatão, que teve 18,56% dos avistamentos. Essa concentração é explicada pela qualidade do habitat, que oferece abundância de recursos alimentares e condições ideais para a reprodução da espécie.

A densidade populacional de botos-cinza na Baía de Trapandé e no Mar de Cananéia é estimada em cerca de 2,76 botos por km², evidenciando a importância dessas áreas para a sobrevivência dos golfinhos em Cananéia. O estuário, que é cercado por áreas protegidas, torna-se um ambiente ideal desenvolvê-los e observá-los.
Projeto Boto-Cinza e a preservação
Desde 1997, o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) vem desenvolvendo o Projeto Boto-Cinza, que é fundamental para o monitoramento e a conservação dos golfinhos em Cananéia. Este projeto não apenas se concentra na pesquisa e acompanhamento do dia a dia dos botos, mas também promove ações de educação ambiental voltadas para escolas e comunidades locais.
A equipe do IPeC realiza monitoramentos nas praias da Ilha Comprida em busca de animais encalhados e participa de eventos e cursos sobre a biologia dos botos, sempre buscando unir ciência, turismo e comunidade para garantir a proteção da espécie. A iniciativa comprova que é possível desenvolver turismo sustentável que beneficie tanto a comunidade quanto a preservação da biodiversidade.
Clima de Cananéia e suas influências
O clima de Cananéia é classificado como tropical, com verões quentes e chuvas frequentes. Durante os meses de dezembro a fevereiro, as temperaturas variam de 21°C a 28°C, com janeiro sendo o mês mais úmido. O outono apresenta temperaturas mais amenas e diminuição da precipitação, enquanto os invernos são amenos, variando de 15°C a 21°C, sendo agosto o mês mais seco. A primavera traz um gradual aquecimento e o retorno das chuvas.
As condições climáticas, aliadas ao ecossistema rico da região, favorecem tanto os golfinhos em Cananéia quanto os turistas que buscam apreciar a beleza natural e a vida selvagem durante todo o ano.


