A Justiça do Distrito Federal negou o pedido de tutela de urgência contra Richarlison na disputa pela Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). A solicitação foi apresentada pelo advogado Willer Tomaz e pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A.
O pedido foi motivado por publicações em que o atacante afirmava que a ilha havia sido “tomada”. Segundo a decisão, os autores queriam que Richarlison apagasse conteúdos e deixasse de fazer novas manifestações sobre o caso.
A análise ocorreu na 4ª Vara Cível de Brasília, sob responsabilidade do juiz Giordano Resende Costa. A negativa da tutela ocorreu em agosto e voltou a repercutir em outubro de 2026, durante novos desdobramentos da controvérsia.

A decisão não encerra o processo nem define a propriedade da ilha. A disputa envolve os limites das manifestações públicas do jogador e pedidos que ainda serão analisados pela Justiça.
Por que a Justiça negou a tutela de urgência
Ao analisar o pedido, o juiz Giordano Resende Costa considerou que não havia publicações disponíveis para remoção. Segundo os autores, os conteúdos tinham sido publicados nos stories do Instagram, que desaparecem automaticamente após 24 horas.
Também já não estava visível um comentário de Richarlison em uma publicação de outra pessoa: a titular do perfil havia apagado o conteúdo. Com isso, não havia postagem ativa a ser removida naquele momento.
O magistrado avaliou ainda que proibir antecipadamente novas manifestações do jogador em diferentes redes sociais e formatos poderia configurar censura prévia, vedada pela Constituição Federal. A decisão não exclui, porém, a possibilidade de responsabilização posterior: se houver manifestações ilícitas, a Justiça poderá ordenar a remoção e aplicar as sanções cabíveis.
A disputa pela Ilha Comprida e os pedidos ainda pendentes
Além da retirada de publicações e da proibição de novas declarações, Willer Tomaz e a WT Administração de Imóveis e Bens S/A pedem R$ 200 mil por danos morais. A ação também solicita que Richarlison publique um esclarecimento em suas redes sociais; esses pedidos ainda serão examinados no processo.
Richarlison afirma que comprou a área em outubro de 2020, em sociedade com o ex-deputado Alencar da Silveira Júnior. Segundo o jogador, cerca de R$ 10 milhões foram investidos em pagamentos a antigos posseiros, reformas e segurança.
O atacante acusa Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL) de terem tomado a ilha sem pagar pelo imóvel. Em uma publicação, Richarlison alegou que o grupo do advogado teria reativado uma empresa inapta desde 2018, com sócios falecidos, e ludibriado uma viúva de 78 anos; essas afirmações são parte das alegações do jogador, e a decisão sobre a tutela não definiu a propriedade da área.

