Richarlison aceita desafio de advogado amigo de Flávio e mostra documentos da compra de ilha

Richarlison publicou em 21 de outubro de 2026 um vídeo com trechos de documentos relativos à compra de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O jogador do Tottenham afirma que os papéis comprovam a legalidade da aquisição.

A divulgação veio após o advogado Willer Tomaz desafiar o atleta, em vídeo publicado em 18 de outubro, a apresentar provas da compra. Tomaz disse que transferiria os direitos sobre o imóvel a Richarlison sem cobrar nada caso ele apresentasse algum documento que comprovasse a aquisição.

A disputa envolve o atacante e Tomaz e se refere a uma propriedade que Richarlison diz ter comprado em 2020 com outros dois sócios. Flávio Bolsonaro também é citado: o jogador afirma que o senador teria feito uma oferta pelo imóvel, enquanto o advogado diz que ele não integrou a disputa.

compra da ilha por Richarlison

O ponto central é a divergência entre a documentação apresentada por Richarlison e o histórico patrimonial considerado pela União. Tomaz sustenta que os papéis exibidos pelo atleta comprovam pagamentos a posseiros, e não à proprietária de direito.

Vídeo de Richarlison apresenta documentos da compra da ilha

No material divulgado, Richarlison exibe trechos de contratos de compra e de uma homologação judicial. O jogador afirma que esses registros demonstram a legalidade da aquisição da mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.

O atacante calcula ter desembolsado cerca de R$ 10 milhões com pagamentos a antigos posseiros, reformas e segurança. Segundo ele, as indenizações aos moradores anteriores foram registradas em cartório, e a Justiça do Rio de Janeiro validou a posse.

Richarlison também acusa o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz de terem recorrido a uma manobra judicial para obter a propriedade, que, segundo o jogador, foi tomada “na mão grande”. Ele diz que seu pedido de regularização ficou parado por dez meses, enquanto a transferência do imóvel para uma empresa ligada a Tomaz teria sido rápida.



Históricos de posse e versões divergentes sobre o imóvel

Na documentação apresentada por Richarlison, Maurício Figueiredo vendeu o imóvel, em 2011, a Celso de Souza Silva e Renato Pinto Cunha. Figueiredo estaria regularizando a área por usucapião, mas os documentos não comprovariam que a União confirmou a posse; em 2014, Ricardo Horácio Campos passou a integrar o grupo.

Em 2020, o jogador, o empresário Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, compraram a casa. Um acordo firmado em 2021, segundo os papéis exibidos pelo atleta, reuniu todas as partes para confirmar a posse.

O histórico considerado pela União começa em 15 de abril de 1975, quando Maria da Purificação transferiu a posse a Sérgio Rego Monteiro e Luiz Fernando Schmidt Behring. A União reconheceu transferências administrativas posteriores até 1986, quando a posse foi atribuída à M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda.; em 2022, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) mudou o cadastro para a WT Administração de Imóveis e Bens S.A., empresa pertencente a Tomaz.

Registros apresentados pelo jogador indicam que a M Locadora teria sido extinta entre 1986 e 2011, que seus sócios morreram antes de 1990 e que a empresa foi considerada “inapta” em 2018. Em nota, Tomaz sustenta que os documentos de Richarlison comprovam pagamentos a posseiros, não à proprietária de direito, e aponta divergência entre os R$ 4,66 milhões mencionados no vídeo e os R$ 2,6 milhões declarados pela Sport 70, empresa ligada ao atleta.

Tomaz afirma que há escritura registrada, certidão da SPU e decisões favoráveis em todas as instâncias, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), já transitadas em julgado. Ele também diz que Richarlison é réu em Brasília por acusações que considera sem fundamento e que um inquérito policial sobre o negócio foi arquivado por falta de indícios de crime; sobre Flávio Bolsonaro, afirma que o senador apenas foi indicado como testemunha por Alencar da Silveira Júnior. Flávio não se manifestou até a publicação da reportagem.



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