A disputa por uma ilha em Angra dos Reis voltou ao debate em 19 de outubro de 2026, após Richarlison acusar Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz de terem ficado com uma mansão na Ilha Comprida. O jogador diz que perdeu o imóvel após recusar uma oferta, enquanto Flávio nega participação.
A controvérsia começou com a aquisição da propriedade em parceria com Alencar da Silveira Júnior e Renato Velasco, ex-empresário do atleta. Empresas ligadas a Richarlison e Velasco aparecem na disputa judicial.
O processo passou pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ); em março de 2025, houve uma decisão desfavorável às empresas ligadas ao jogador. Flávio afirma que foi arrolado apenas como testemunha e não integrou a ação.

A posse do imóvel está com a WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz, que contestou as declarações do atleta e lançou um desafio público. As versões de Richarlison, do advogado e de Flávio divergem sobre a negociação e a relação do senador com a propriedade.
Investimento alegado por Richarlison e origem da disputa
Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel entre 2020 e 2021, durante a pandemia de covid-19. Na época, segundo o jogador, a aquisição envolveu Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu antigo empresário.
O atacante diz que surgiram propostas pela propriedade, incluindo uma que, segundo ele, estava ligada a Flávio Bolsonaro. Richarlison afirma ter recusado a venda e acusa o senador e o advogado Willer Tomaz de terem articulado uma manobra judicial para obter a posse.
Em sua versão, a papelada ainda estava sendo resolvida quando a posse teria sido transferida em 24 horas. O jogador diz que não recebeu de volta o valor aplicado e chamou Velasco de “picareta” ao comentar o caso.
Tramitação judicial e negativa de Flávio Bolsonaro
No processo, aparecem a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada a Renato Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, da qual Richarlison e seu pai, Antonio Andrade, são donos. A ação tramitou por quase três anos e passou pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro antes de chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Depois da decisão desfavorável de março de 2025, a Sport 70 e Velasco desistiram da causa em agosto de 2025, após o rompimento entre o empresário e o atleta. Richarlison havia trocado de representante por ter perdido a confiança em Velasco, segundo a reportagem.
Flávio Bolsonaro afirmou, em manifestação publicada em novembro de 2022, que havia sido indicado como testemunha pela defesa em uma disputa imobiliária no Rio de Janeiro e que não tinha relação com o caso. A assessoria do senador reiterou em julho de 2026 que ele não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel, nem possui vínculo com a propriedade.
Segundo a equipe de Flávio, ele foi arrolado como testemunha pela empresa do atleta; pessoas ligadas à WT disseram que, como a audiência de instrução não ocorreu, o senador não precisou depor. A posse está com a WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz.
Desafio de Willer Tomaz e versões sobre os documentos
Em resposta às acusações, Willer Tomaz publicou uma nota intitulada “apresente um documento e a ilha é sua” e estabeleceu o prazo de 72 horas para Richarlison apresentar provas de vínculo com o imóvel anteriores a julho de 2022. O advogado propôs transferir os direitos sobre a propriedade sem cobrança caso os documentos fossem válidos.
Tomaz pediu uma escritura pública, um contrato de compra e venda registrado ou uma inscrição do jogador na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), além de comprovante do pagamento dos R$ 10 milhões alegados. A exigência documental e a oferta foram apresentadas pelo advogado como resposta direta à versão do atacante.
O advogado também sustenta que Richarlison nunca foi parte direta no processo e que a Sport 70 e Velasco perderam em todas as instâncias, inclusive no STJ. Segundo Tomaz, a empresa declarou nos autos ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros que ele descreveu como invasores sem título, e não à titular registrada do imóvel.
Tomaz afirmou ainda que um inquérito policial sobre o negócio foi arquivado por falta de indícios de crime e disse que Richarlison responde a uma ação judicial em Brasília por declarações sobre o episódio. O advogado alegou que as falas foram repetidas mesmo após notificação e associou a divulgação do caso à campanha eleitoral; essas afirmações são contestadas pelo jogador em sua acusação sobre a disputa por ilha em Angra.


